O sono que quebra no meio
Você apaga normal, acorda às três da manhã com o corpo quente e fica ali, olhando o teto, com a cabeça já ligada no dia seguinte. De manhã levanta como se não tivesse deitado, e a conta disso aparece na tarde inteira.
Alphaville, Barueri/SPMenopausa e perimenopausa
com o Dr. Sandro Ferraz, nutrólogo
Você ainda menstrua todo mês e mesmo assim não dorme direito, perdeu a paciência e viu o corpo mudar sem mudar nada na rotina. Isso tem nome, tem critério e tem investigação.
Dr. Sandro Ferraz · CRM-SP 133573 · médico responsável técnico do Instituto Evollution
A ideia que organiza tudo
Você já culpou a idade, o trabalho e o estresse. Falta uma explicação nessa lista, e ela é a menopausa. Parece contradição, porque a sua menstruação ainda vem todo mês.
A menopausa, no sentido médico da palavra, não é uma fase. Ela é um dia: o dia da sua última menstruação, e esse dia só é confirmado depois que passam doze meses sem vir nenhuma. Quer dizer que, quando alguém diz que você entrou na menopausa, ela já aconteceu faz um ano.
O que importa para você agora é o que vem antes desse dia. São os anos em que a menstruação começa a bagunçar: adianta num mês, atrasa no outro, vem mais forte, some e volta. E é bem aí, com a menstruação ainda vindo, que aparece a maior parte do que você está sentindo. O sono que quebra de madrugada, o calor que sobe do nada, a paciência que encurta. Esses anos também têm nome: chamam perimenopausa, que quer dizer em volta da menopausa.
E isso muda o que você faz com o que sente. Enquanto a explicação era estresse, a única saída era aguentar mais um pouco. Quando a explicação passa a ser a perimenopausa, existe o que perguntar, o que anotar em casa e o que examinar.
O que costuma passar despercebido
O calorão não é obrigatório: dá para atravessar essa fase inteira sem ter nenhum. Cada um destes quatro tem uma explicação isolada que fecha certinho. Juntos, eles formam outra coisa.
Você apaga normal, acorda às três da manhã com o corpo quente e fica ali, olhando o teto, com a cabeça já ligada no dia seguinte. De manhã levanta como se não tivesse deitado, e a conta disso aparece na tarde inteira.
O nome de quem você conhece há anos e não vem, a lista que você lê três vezes e não guarda. Isso aparece na literatura médica com um nome sem drama nenhum, dificuldade de concentração, e está na mesma lista do calorão.
Você se irrita antes de decidir se irritar, e depois fica com raiva de si mesma por ter se irritado. O humor muda de um jeito bem específico nessa fase, e não é fraqueza de caráter.
Esse quase ninguém conta para o médico, nem quando o médico pergunta. Chama incontinência urinária, e também está descrito nessa fase. Não é assunto de vergonha: é sinal clínico.
Cada um deles tem uma explicação que fecha: o sono é o trabalho, a cabeça é a idade, o humor é a correria, o escape é coisa de parto. Um por um, todos fazem sentido. O que muda a sua próxima conversa com um médico é a possibilidade de os quatro terem uma causa só, e causa se procura.
O critério que você consegue observar
O marcador que a medicina usa para dizer que a menopausa começou a se aproximar não é um hormônio no exame: é o comportamento da sua menstruação ao longo dos meses. Por isso o seu exame pode vir normal e o que você sente continuar existindo do mesmo jeito. Os dois não estão medindo a mesma coisa.
Isso não fecha diagnóstico nenhum, e você não vai concluir nada sozinha em casa. É informação, e é uma informação que ninguém tem além de você, porque ninguém acompanhou os seus meses. Ela serve para começar a conversa dentro do consultório, não para substituir a conversa.
Por que o seu quadro ficou fatiado
A menopausa não chega com uma placa avisando. Ela chega em pedaços, e cada pedaço bate numa porta diferente. O sono foi parar com um médico, a ansiedade com outro, o ciclo com um terceiro. Cada um cuidou do pedaço que chegou até ele. Ninguém viu a coisa inteira porque ninguém recebeu a coisa inteira.
E isso está descrito: a literatura médica aponta essa fase como um dos períodos mais negligenciados da saúde da mulher. Não é falha de um médico e não é falha sua. É que ela não tem dono óbvio, e o que não tem dono acaba sendo cuidado em fatias.
Só que a conclusão que sobra para você é a pior de todas: a de que o problema é você. Você seguiu cada tratamento que te deram, e cada um resolveu a sua parte. O que faltou foi alguém olhar a lista toda e perguntar o que liga aqueles pedaços.
| Critério comparado | Cuidado em fatias | No Instituto Evollution |
|---|---|---|
| Ponto de partida | O sintoma que apareceu primeiro | A sua história com datas: ciclo, sono, disposição e corpo |
| O ciclo menstrual | Só entra se você reclamar dele | É o marcador de entrada da fase, e por isso é olhado sempre |
| O que é medido | Um exame de rotina lido isolado | Composição corporal, força, sono e exames lidos dentro da fase |
| O músculo | Ninguém pergunta | Medido, porque é ele que sustenta a força que você sente escapar |
| No fim da consulta | Mais um encaminhamento na sua mão | O quadro amarrado: o que é da fase, o que pode ser outra coisa, o que vai ser conduzido |
| Quem costura | Você, no intervalo entre uma consulta e outra | A estrutura da clínica, com a sua história já contada |
Sobre reposição hormonal
Você pesquisou reposição hormonal e saiu com mais medo do que entrou. De um lado, quem jura que resolve tudo. Do outro, quem jura que faz mal. E nenhum dos dois examinou você.
As duas frases são falsas pelo mesmo motivo: respondem por todas as mulheres uma pergunta que só faz sentido uma mulher por vez. A pergunta que vem antes é mais simples. O que exatamente está acontecendo com você? O que aconteceu com o seu ciclo nos últimos meses, com o seu sono, com a sua disposição. Sem isso, qualquer decisão sobre hormônio é chute, inclusive a de não fazer nada.
E aqui vai uma honestidade sobre o meu lugar nisso: a decisão sobre repor hormônio é de quem conduz esse tratamento, e não é o que eu faço. O que é meu é tudo o que vem antes dela, e é justamente isso que quase nunca é feito antes da decisão.
Chegar nessa conversa com a sua história medida e documentada muda a conversa inteira.
O que acontece na consulta
Quem vem investigar menopausa quase sempre chega esperando sair com um pedido de exame na mão. Só que o exame mostra um dia, e o que está acontecendo com você vem se montando há uns anos. Sem esses anos contados, o exame é lido no vazio.
Quando cada menstruação veio nos últimos meses, quando o sono começou a quebrar, quando a disposição caiu, quando o corpo mudou de forma. É a informação que só você tem, e quase ninguém pede.
Quanto do seu peso é músculo e quanto é gordura, como está a sua força e como está o seu sono de verdade. Medida no lugar de estimativa, porque é a medida que orienta a conduta.
Os mesmos exames dizem coisas diferentes conforme o momento da vida. Aqui eles são lidos junto com a sua história, e não como se fossem os exames de uma mulher de trinta.
A parte que quase nunca acontece: eu junto tudo e digo o que é da menopausa, o que pode ser a tireoide, o que é o seu sono, e o que eu vou conduzir com você daqui para frente.
O que costuma escapar sem ninguém medir
Se de uns tempos para cá a mala pesa mais, a tampa do pote resiste e a escada cansa antes, e isso começou junto com os primeiros sinais da menopausa, tem uma coisa aí que dá para medir. E ela não é o seu peso.
Nessa fase, quase toda conversa que sobra para a mulher é sobre peso, e o que você está sentindo escapar é força. Força para carregar, para levantar, para subir e para chegar no fim do dia com a mesma cabeça do começo. Força mora no músculo, que é justamente a parte do seu corpo que o check-up comum não mede.
Medir isso é rápido. Existe um exame que divide o seu peso em partes e mostra o tanto que é músculo, o tanto que é gordura e o tanto que é água. Ele chama bioimpedância. Com esse número na mão, o que vem depois deixa de ser conselho genérico: a proteína é ajustada para o tamanho do seu corpo, o treino de força entra com orientação, o sono é arrumado, a inflamação é acompanhada, e a medida é repetida mais para frente para ver o que andou.
A ordem importa: primeiro se mede, depois se aperta. O reflexo antigo, que é cortar mais comida e caminhar mais, é justamente o que pode sair no músculo.
Para quem é
Alphaville, Barueri/SP
Quem já andou de consultório em consultório sabe que o cansaço não é da consulta em si. É de recomeçar a história toda vez. Aqui a sua história é contada uma vez: o que é da nutrologia eu conduzo, e o que precisar de outra área continua dentro da mesma estrutura, com a sua história já contada.
Quem vai conduzir o seu caso
Nutrólogo há 16 anos · CRM-SP 133573 · médico responsável técnico do Instituto Evollution
Essa fase é clínica de verdade. Ela tem nome médico, tem um critério objetivo que marca quando começou, que é a mudança na duração dos seus ciclos, e tem literatura descrevendo o que ela faz no sono, na cabeça, no humor e no corpo.
O que você ouviu das outras não foi conversa fiada. A experiência de quem já passou vale muito. Só que ela responde como foi com elas, e não o que está acontecendo com você.
Dentro de um consultório, essa fase deixa de ser assunto e passa a ser o seu caso, com a sua história, os seus números e o que dá para fazer com eles.
O próximo passo
Cinco anos é o tempo em que a perimenopausa acontece, com a menstruação ainda vindo e os sintomas já instalados. E não é uma espera parada: é uma espera com sono ruim, com humor difícil, com o corpo mudando e com a sua rotina cobrando o mesmo de sempre. O sono, a alimentação, a inflamação e a força que você tem hoje podem ser cuidados enquanto essa fase acontece.
Dúvidas frequentes
Faz. Menopausa, no sentido exato da palavra, é a última menstruação. Mas a fase que dá sintoma começa antes dela, e tem nome: perimenopausa. Sentir sono ruim, humor mudado e o corpo diferente com a menstruação ainda vindo é exatamente assim que essa fase se apresenta. Você não precisa que a menstruação pare para ter direito de investigar o seu caso.
A decisão sobre repor hormônio é de quem conduz esse tratamento, e não é o que ele faz. O que é dele é tudo o que vem antes dessa decisão: a história do seu ciclo, o sono, a composição corporal, a leitura dos exames dentro da fase e a conduta metabólica. Chegar nessa conversa com o seu quadro medido e documentado é diferente de chegar com uma lembrança.
Vale. O marcador que a medicina usa para dizer que a menopausa começou a se aproximar não é um hormônio no exame: é o comportamento da sua menstruação ao longo dos meses. Por isso o exame pode vir normal e o que você sente continuar existindo. Os dois não estão medindo a mesma coisa, e a leitura dos exames muda quando eles são olhados junto com a sua história.
O que você tiver anotado das suas últimas menstruações, mesmo que esteja incompleto e mesmo que seja só um bilhete no celular, e os exames que já tiver feito. A consulta começa pela sua história com datas: quando cada menstruação veio, quando o sono começou a quebrar, quando a disposição caiu.
Pode. O calorão não é pré-requisito: dá para atravessar essa fase inteira sem ter nenhum. Sono que quebra de madrugada, dificuldade de concentração, humor com pavio curto e incontinência urinária estão todos na lista descrita pela literatura para a transição, e cada um deles costuma ser tratado como defeito próprio.
Na Av. Copacabana, 190, 6º andar, Ed. Lazulli, Alphaville, Barueri/SP. O agendamento é feito pelo WhatsApp da clínica.